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Todo dia, nossos blogueiros contam as suas experiências pelo mundo

O tal do glamping -  
02/10/2008

Esse post é para mocinhas que acham tentadora idéia ecológica de dormir sob as estrelas, rodeando uma fogueira, mas ao mesmo tempo só de pensar em dormir numa barraca sem banheiro e enfrentar pernilongos a noite toda ficam assustadas. Pois não é que agora inventaram um upgrade para o camping? Para férias verdes, politicamente corretas, mas cheias de glamour,  surgiu o glamping - isso mesmo: uma corruptela de glamour camping. A nova tendência ganha força na Europa e nos EUA e tem destaques fortíssimos nos ingleses Cornish Tipi Holidays (www.cornishtipiholidays.co.uk) e Canvas Chic (www.canvaschic.com) e no americano Costanoa (www.costanoa.com). Nesses locais é preciso, em geral, levar comida, toalha e roupa de cama; todo o resto, em tendas estilosíssimas que mais parecem bangalôs, é providenciado, incluindo até mini-refrigeradores.  Com tanto conforto, claro que os precinhos também são mais salgados que o de um simples acampamento onde você monta sua barraca: os preços para um final de semana em tendas para até 3 pessoas vão de 115 dólares a 255 libras. Outras empresas desse segmento em várias partes do mundo podem ser conferidas no site www.coolcamping.com , que lista campings bacanas - mas não necessariamente glamurosos - em tudo quanto é canto.

Será que esse eu topava?

Mari Campos - que acha que água quente e banheiro privativo são fundamentais em qualquer lugar

Fiel ao Penafiel -  
16/11/2007

Outro dia, justamente para escrever neste espaço, estive no Panafiel para almoçar. O restaurante que traduz todo o espírito do Rio Antigo, para quem não sabe, é dos mais tradicionais da cidade, aberto em 1913. Fica no coração da Saara, para quem não sabe, o centrão de lojas populares cariocas: é a 25 de Março da Guanabara, em resumo. Quase na esquina da Avenida Passos com a Rua Senhor dos Passos (no número 121 desta última), espremido entre uma filial do Mc Donald’s e o comércio de roupas e bugigangas de uma maneira geral, funciona num belo prédio de três andares com mais de um século de existência – tombado pelo Patrimônio Histórico. Paulinho da Viola é um dos fãs, observe a importância do endereço.

O cardápio ainda é datilografado, veja só. Como antigamente. E os pratos do dia aparecem num pedaço de papel escrito à mão com caneta azul preso por um clipe à carta. E os preços são justos. Com R$ 20 um casal come bem. Nem sei há quanto tempo não via um cardápio assim. Cardápio honesto anda cada vez mais raro.

Cliente com alguma dúvida, o que não é difícil diante de tantas gostosuras à moda antiga, é convidado a ver os pratos do dia. Tudo preparado pelo chef Antonio Bispo, que, para mim, põe muito cozinheiro badalado por aí no chinelo. Quase todos, eu diria. Quando o assunto é comidinha caseira, simples e saborosa, não tem concorrentes. Pois quase todo mundo vai lá atrás dar um confere. Grandes panelões e travessas guardam os acepipes atrás do balcão. Um mais apetitoso que o outro.

A cordialidade é marca da casa. Cheguei antes de minha convidada de almoço. Fui lá ver a cara dos pratos do dia e mostrei minha predileção pela dobradinha, um dos clássicos da cozinha do lugar ao lado da língua de boi defumada. O Penafiel é também, vale saber, um dos melhores lugares do Rio para se comer bacalhau. Afinal de contas, é um restaurante português. O mais carioca deles, encharcado de pratos típicos do Rio. Pratos típicos de botequim. Mais especificamente, pratos típicos de botequins cariocas do início do século passado. Como a dobradinha, o mocotó, a língua, o bife à milanesa... Algo que vai se perdendo aos poucos. Essa gastronomia por muitos chamada de baixa gastronomia aparece especialmente nos pratos do dia. Porque a carta fixa é bem portuguesa com algumas concessões: tem bacalhau com arroz de brócolis, mas também peixe ao alho e óleo e risoto de camarão. Já o menu do dia é bem carioca – às sextas, e só às sextas, eles servem uma famosa empada de camarão. De parar o trânsito. Essa mistura luso-carioca dá certíssimo.

Ricardo Torres da Silva, o dono, é quem apresenta o cardápio do dia no balcão. Com simpatia e cordialidade, mostra as perfumadas opções. Ao me deparar com o panelão de dobrada à moda do Porto, com paio e feijão branco, salivei. Mas disse ao dono que talvez não pudesse pedir a tal dobrada, porque sei que não é todo mundo que gosta. Achava que a minha companheira não gostaria de almoçar algo assim num dia de semana. Era terça-feira – porque o Penafiel só abre de segunda a sexta, das 11h às 16h.

Dito e feito. Fomos de um básico filé à milanesa com salada de batatas. Muito bom também. Bife macio, com casquinha à milanesa leve, sequinha e crocante, como deve ser. E o mínimo que posso dizer da salada de batatas é que ela é melhor do que a do Bar Luiz. Não é nem preciso dizer mais nada... Divina, simplesmente.

Mas, vamos voltar um pouquinho no tempo, para momentos antes de me chegar o prato eleito.

Eis que surge o garçom, me trazendo num pratinho de sobremesa uma pequena porção da dobradinha. “Para o senhor provar”.

Vibrei. Pedi pimenta da forte. E devorei. Um delírio.

Em seguida, sem ter notado a gentileza do garçom, me chega o proprietário com outra porção num pratinho de sobremesa. “Não vou deixar você sem provar a dobradinha. Desfrute-a”. Agradeci, em estado de total felicidade. Era uma porção bem maior que a anterior – afinal, era o dono da casa quem me ofertava. Mais algumas gotas de pimenta e vivi novamente momentos de puro prazer. Matei a minha vontade. Em parte. Porque a terça-feira é o dia oficial da dobradinha no Penafiel desde muito. Mas, me confidenciou o garçom, o melhor dia para comê-la é na quarta, quando eles servem o que sobrou da terça. “Fica ainda mais gostosa. A carne se desmancha, o feijão engrossa. Quem conhece, sabe. Mas, como quase sempre sobra pouco, ou nada, acaba bem cedo. É difícil ainda ter depois do meio-dia e meia”. Tá dada a dica.

A cerveja, não tem chope, vem bem gelada. E há uma razoável oferta de rótulos de vinhos portugueses, incluindo ícones como o Cartuxa – pena que servidos em taças ruins –  o que, de certa forma, contribui para formar o clima antigo, do tempo em que preocupações como essas não tomavam o nosso cotidiano. Taça? Qualquer uma serve. O que vale é o conteúdo e não o continente.

A casa, que só abre para o almoço, de segunda a sexta, não aceita bebuns. Diz o aviso. “Não servimos bebidas alcoólicas desacompanhadas de refeição”. Ou algo que o valha.  

Escrevi isso tudo para dizer que hoje fui pego de surpresa ao abrir o jornal. E fiquei triste. Rumores já existiam há algum tempo. Mas agora parece confirmado. O Penafiel vai fechar no dia 31 de dezembro.

Mas nem tudo é tristeza e saudade antecipada. A nota informa que o velho Penafiel vai reabrir em novo lugar. E, o que é ainda mais animador, que toda a decoração do lugar, incluindo o tampo de mármore, os ventiladores italianos e a geladeira de madeira, vão para o novo endereço.  Assim como toda a equipe. Se assim for, é quase certo que a qualidade da comida seja preservada. E esse é o grande patrimônio de um restaurante. Vida longa ao Penafiel, seja onde for, mas que seja no Centro do Rio para fazer dos meus almoços momentos sublimes e baratos.

E, enquanto não fecha as portas na Saara, vou lá me despedir do lugar. Vou bater ponto no número 121 da Rua Senhor dos Passos até o dia 31 de dezembro. E, se você curte comida de botequim, devia fazer o mesmo.

 

 

Você precisa conhecer melhor -  
10/11/2007

 

Uma operadora de telefonia colocou no ar uma campanha publicitária que apresenta alguns programas muito legais no Rio de Janeiro que são ignorados pelos até por boa parte dos cariocas.

O slogan é: "Vivo e você, duas coisas que você precisa conhecer melhor".

O primeiro anúncio falava de uma roda de choro numa feira. O segundo, de uma cachoeira em plena Zona Sul.

Trata-se da Praça General Glicério, em Laranjeiras, onde aos sábados acontece uma daquelas deliciosas feiras livres, onde encontramos os legumes, as frutas, as verduras e os peixes mais frescos do mercado, muito melhores que os dos supermercados, embora mais caros.

Mas nessa pracinha carioca há um ingrediente a mais que faz das tardes de sábado um programaço, que – nem precisava – ainda é gratuito. O Grupo Choro na Feira foi formado ali, debaixo de uma árvore, tocando espontaneamente durante os sábados, reunindo amigos músicos, que tocavam para se divertir. A coisa foi ficando séria e o grupo se profissionalizou – e tem CDs lançados. Além de agenda lotada. Mas as tardes de sábados continuam sagradas. Tocam hoje em algumas das principais casas de samba da cidade. Se quiser, dê um pulo no site dos caras (www.choronafeira.com) e veja como é da melhor qualidade o som, num repertório que privilegia o melhor da MPB – além do choro que batiza o grupo, é claro, há maxixe, samba, valsa, frevo, baião. Um sobrevôo sobre o melhor da música popular brasileira.

Há pouco tempo, a roda de samba da feira esteve ameaçada de extinção – ou, no mínimo, paralisação. É que um grupo de burocratas dos nossos governos decidiu derrubar a árvore cuja sombra protegia a turma toda. A celeuma terminou e vida que segue. O Choro na Feira continua, para alegria e sorrisos dos freqüentadores, a fina flor do samba carioca.

O segundo programete da campanha publicitária destaca a cachoeira do Horto, bairrozinho colado ao Jardim Botânico, delicioso, calmo, verde e bucólico. Pois existe ali, a poucos minutos de caminhada a pé por uma trilha no meio da mata, uma queda d’água muito charmosa, perfeita para um mergulho pós-praia, para tirar o sol do corpo. Uma coisa. Pouca gente sabe disso.

A campanha da operadora é um bom mote para perguntar: você conhece algo interessante, no Rio ou em qualquer lugar do mundo, que seja um achado sabido por poucos? Compartilhe conosco a sua dica.

Eu deixo uma de cá do Rio. Você sabia que, quando bate aquele vento sudoeste fortíssimo em Ipanema e Leblon, anunciando chuvas e trovoadas, acabando com a praia, basta andar até Copacabana que a tormenta desaparece? Nada de areia voando nos olhos, barracas se soltando da areia nem mar mexido. Ali no Posto 6, protegido pela barreira de prédios do Arpoador, pelo Morro do Cantagalo e pelo contorno da orla do Rio, o vendaval não bate. Fica uma calmaria só. Para melhorar, ainda há pescadores, redes e barquinhos em volta e os jogadores de vôlei mais antigos do Rio batendo uma bolinha. E ainda dá para, na volta, compra um peixinho no mercado de peixes para fazer em casa. Ou, ainda, estacionar na Adega do Cesare, citada dois posts abaixo, ou na Toca do Siri, para um chopinho. Ou, para a turma do café e da água com gás, uma visita ao Forte de Copacabana sob o pretexto de comer algo na Confeitaria Colombo, que mantém ali uma filial soberba, com mesinhas espalhadas pela calçada, em volta de jardins bem cuidados e com toda praia de Copacabana esparramada diante da vista.

Invasão de gringos: uma pensata meio chata -  
08/11/2007

No avião entre Lisboa e o Rio, voltando de viagem de férias, escutei algo que me fez refletir. Mais que isso, me fez mudar de idéia. É bom rever conceitos. E, desde já adianto, há um quê de politicamente incorreto no que vou dizer.  

Aconteceu assim. Ao meu lado, uma moça conversava com um desconhecido sobre suas andanças pela Europa. Debatiam, rememoravam e viam fotos no laptop de Praga, Madri, Lisboa, Paris, Roma, Londres... Ela circulara pelo fino do Velho Continente, como dá para notar. Era fim de verão, começo de outono no Hemisfério Norte. A carioca havia passeado por cidades infestadas de turistas. Falava alto para quem quisesse ouvir – e eu prestava atenção, pois além de ser um tema que me interessa muito, a minha TV não funcionava (alô, TAP!!!). Ela dizia mais ou menos assim.

"Eu sei que os turistas são importantes para a economia das cidades, pô. Cara, tenho consciência da geração de empregos e renda que eles proporcionam. Já li que a indústria do turismo é a que necessita de menos investimento para a criação de um posto de trabalho. Dez vezes menos que uma indústria convencional. Do cacete isso. Caraca, todo o mundo quer receber visitantes, né? Reconheço isso. Mas, pô, quer saber? Ainda bem que o Rio não é assim. Putz, imagina só ser quem nem Roma. Ainda bem que o Rio é dos cariocas e dos turistas mais sagazes que sabem curtir uma cidade, vivendo-a. Turista que visita o Rio, em geral, é sangue-bom. Ah, quanta saudade do Baixo Gávea. Vou direto pra lá depois de dar uma passadinha em casa. Salivo só de pensar no chope do Bar Lagoa. Que Côte d'Azur, que nada. Búzios fora de temporada é mil vezes melhor. Ipanema dá um banho de charme em qualquer bairro de praia da Europa". 

E ela listava as inconveniências de se estar rodeado de turistas munidos de guias, máquinas e bandeirolas. Enquanto eu concordava com tudo em silêncio praticamente envergonhado.

            Naquele momento agradeci por ser um sujeito que muda de opinião – não com facilidade, mas muda. Estava de acordo com os comentários dela em quase tudo, especialmente quando faz comparações, na segunda metade do discurso. Eu também sou mais o Rio. Ao que eu acrescento: o melhor lugar do mundo para se comer comida portuguesa é no Leblon, mais precisamente na rua Aristides Espínola, no restaurante Antiquarius. Ponto. Não há tasca portuguesa, nem restaurante, que faça comida melhor.

Mas, voltemos ao tema da invasão de turistas. Sempre achei, para o bem do Rio e do Brasil, que o país só teria jeito quando abraçasse o turismo como a sua indústria. Não sei mais se penso assim. Nem sei se quero ver um montão de turista aterrissando no Galeão. Mesmo que eles tragam os bolsos cheios de dólares, euros, libras, ienes... 

Porque naquele dia de regresso ao Brasil (com o coração apertado de saudades da água de coco, do samba, das moças graciosas daqui), depois de passear por Lisboa, Madri, Granada, Porto e tantas outras cidades tão belas quanto turísticas, percebi que não curto estar rodeado de turistas.

Me arrepio só de pensar em morar numa cidade como essas que acabei de citar. Deve ser um horror! Prefiro o Rio do jeito que está. Com alguns turistas na medida certa. Mais que isso, não dá. Fica chato. Insuportável eu diria. Uma semana, 15 dias, um mês, vá lá: dá para suportar. Mas uma vida inteira, não dá. Não dá mesmo.

Hoje dou graças a Deus por não existir um japonês em cada esquina do Rio de Janeiro fotografando tudo – e, nos bares e restaurantes, pedindo comida apontando para uma foto de prato que aprece no seu guia de viagem. Como é bom quase não haver no Rio aquelas excursões lotadas, com viajantes que se dão por satisfeitos em ver de longe um cartão-postal para fotografá-lo – e, então, mostrar aos amigos em chatíssimas projeções caseiras ou pior, praga pós-moderna, encher as caixas-postais alheias com fotos fora de foco e com luz ruim: “Olha a gente tomando uma sangria em Paris. Em três dias, deu para conhecer tudo: a Torre Eiffel, o Louvre, passeamos pelo Sena...". Que falta de gosto. Que bom que nas areias de Ipanema não há só estrangeiros barulhentos como há em tantos lugares que visitei. É uma bênção a Lapa manter-se assim, em perfeito equilíbrio entre as mais diversas tribos de cariocas e gringos, numa proporção harmoniosa que é a cara do lugar. Se predominassem cabelos loiros, olhos puxados e/ou pessoas hablando castelhano, ouso dizer que a Lapa seria um tédio – como são tediosos, de uma maneira geral, todos os programas de turistas em qualquer canto do planeta. Assim como são ruins e caros os restaurantes fisga-turista.

Pronto, falei. Desculpem pela pensata meio chata. É só uma opinião.

 

 

P.S. – Quem freqüenta este blog deve ter notado a ausência de fotos nos últimos posts. Meu computador está ruim. Assim, reféns da tecnologia, ficamos a ver navios quando algum dos nossos aparelhos pifa. Prometo solucionar isso em breve para ilustrar as nossas conversas com imagens do Rio de Janeiro.

A bruxa está mais do que solta -  
07/11/2007

Em aviação, quando ocorre uma sucessão de acidentes ou incidentes mais graves, veteranos pilotos costumam dizer: "A bruxa está solta". Não há dúvida: aumentou o número de acidentes na aviação brasileira. Somente neste feriado de Finados, acidentaram-se três helicópteros no Estado de São Paulo. Para completar, ontem um Learjet espatifou-se no meio da cidade, após tentar decolar do Campo de Marte. Coincidências? Creio que não. A bruxa está mais do que solta. Ela está recebendo colaborações.

Nunca a fiscalização no setor esteve tão leniente, tão esporádica, foi tão insuficiente. Nos últimos anos, as verbas repassadas aos responsáveis pela fiscalização de procedimentos operacionais (segurança de vôo, manutenção, etc.) vêm caindo consideravelmente, em direção inversamente proporcional ao explosivo aumento de frota e de sua utilização no Brasil.

Há mais aeronaves e elas estão voando mais horas por dia. Há fiscais de menos. Gente mal paga, mal aparelhada para exercer suas funções. E a falat de fiscais e de fiscalização muitas vezes faz com que aeronaves novinhas, caríssimas, fiquem semanas paradas à espera de inspeção. Um acinte. E você sabe o que acontece sempre que há deficiências na fiscalização. Pois é essa a dura realidade de nossa aviação neste começo de século XXI: estamos voando na contramão do mundo.

Para complicar, não são apenas as companhias aéreas que experimentam um vertiginoso crescimento em nosso país. As empresas de fretamentos de aeronaves executivos, vulgos taxis aéreos, também crescem velozmente. Cada vez mais, pilotos relativamente inexperientes assumem os controles de aeronaves agrícolas, de jatos executivos, de helicópteros, de aeronaves regionais e de grande porte. Na verdade, tanto no Brasil como em outras partes do mundo, a previsão é que, dentro de alguns anos, a aviação vai sofrer duramente pela falta de pilotos.

Quando se soma uma dose de inexperiência à falta de preparo, à ausência de fiscalização, à corrupção generalizada, às notórias relações incestuosas entre o poder concedente e empresas concessionárias, a bruxa sorri, satisfeita. Afinal, nossa incompetência e descaso nada mais são do que fazer o próprio trabalho dela. A cada decolagem mal planejada, a cada revisão mal executada, a cada calouro inexperiente colocado para pilotar, jogamos no caldeirão da bruxa os ingredientes que, juntos, provocam a receita maldita dos acidentes aéreos.

No dia dos mortos, infelizmente há mais gente inocente para enterrar. Pilotos, passageiros, gente atingida pelas aeronaves que despencam como nosso amor próprio, como o antigo orgulho que nutríamos pro nossa aviação - que sempre foi uma das melhores do mundo. Hoje, ao contrário, ficamos a cada dia que passa mais perplexos, mais envergonhados, mais temerosos com o grotesco estado de nossa aviação.

Partituras e flores -  
03/11/2007

            Os sábados de novembro serão ainda mais agradáveis no Jardim Botânico. Começa hoje, com uma apresentação do excelente Quarteto Maogani, uma série de shows gratuitos para iniciar as comemorações dos 200 anos da instituição, a serem completados no próximo ano. O site www.jbrj.gov.br já faz a contagem regressiva: hoje faltam 223 dias para o bicentenário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Como se sabe, o Rio vai olhar muito para trás em 2008. A cidade se debruça sobre o passado inspirada em efemérides das mais robustas: os 200 anos da chegada da família imperial ao Brasil, uma revolução de costumes, os 100 anos de morte de Machado de Assis e   

            No show de hoje o Quarteto Maogani de violões conta com o auxílio luxuoso do violonista Guinga, formando um quinteto de elite na música carioca. Sempre às 17h, os shows acontecem no gramado em frente ao Centro de Visitantes.

O time de artistas escalados para participar do projeto é todo de primeiríssima linha. Semana que vem se apresenta o Trio Madeira Brasil. No sábado seguinte, dia 17, é a vez de Pufe Muderno e Carlos Malta. Por fim, encerrando a temporada, sobe ao palco o Rabo de Lagartixa. Como há a perspectiva de que fiquem lotados os shows, serão distribuídas senhas a partir das 16h.

            Uma ótima pedida para os próximos sábados. Porque visitar o JB é sempre um programão. Com boa trilha sonora, então...

Inglês padrão Gol e Tam -  
29/10/2007

Os comissários deveriam se abster de falar qualquer coisa em inglês...

Provavelmente, os comissários de bordo das companhias aéreas precisam ter inglês no currículo. Agora, a julgar por seu desempenho, não lhes é exigido um nível alto para conversação. Aliás, eu duvido que o empregador se dê ao trabalho de pedir que o entrevistado diga “the book is on the table”. Numa ponte aérea no mês passado, na ida e na volta, pela Gol, eu e meus companheiros de infortúnio de classe econômica presenciamos um massacre ao idioma. Claro que não espero um sotaque britânico como o de Sir Olivier ou, sei lá, das Spice Girls, mas o que se ouve é um bololô perpetrado por pessoas que, provavelmente, não sabem direito o que estão falando. Têm uma parca idéia porque, afinal, é o mesmo que acabaram de declarar em português.
Juro que não estou sendo chato. Ok, só um pouquinho. Mas pense bem: você se senta naquelas poltronas cada vez mais apertadas, espera cada vez mais tempo antes de embarcar (quando embarca), come amendoim, sanduíche de pão velho esquentado no motor, barra de cereais... O mínimo seria que o povo falasse um inglês decente. Se é pedir demais, que fosse capaz de cantar uma bossa nova para embalar nosso sofrimento.
Uma coisa é sotaque. Indianos falam aquele inglês peculiar. Mas a estrutura das palavras, das frases, bem ou mal, fica de pé. Eu faço uma aposta com você: se conhece um comissário que fale um inglês razoável, me apresenta. Eu convenço a turma da VT a te dar alguns especiais ou um curso de conversação à distância.

Nômades, banha de bode e frio de rachar na Mongólia - Alexandra Forbes
29/10/2007

  Às vezes me falta coragem, acho. Coragem pra quebrar o molde, sair da minha zona de conforto. Sempre é bacana passar duas semanas em Nova York comendo e bebendo bem – e foi exatamente o que eu fiz recentemente, como vocês podem ver pelos posts aqui embaixo – mas… por que será que sempre acabo em Paris ou Barcelona ao invés de me aventurar pelos cantos perdidos desse planeta? Quando será que vou marcar passagem pra o Vietnã? Ou Papua-Nova Guiné?

   Viajar com luxo, que é o tema deste blog, é um conceito muito relativo. Pra mim significa me largar de robe numa suíte com vista para o Hyde Park ou para o Fabourg St. Honoré, bebericando um bom chianti, pra em seguida mergulhar numa banheira de espuma, ou talvez beber mais um pouquinho em boa companhia num bar revestido de madeira e couro, ou ver um bom show de camarote, motorista esperando na porta. Mas tem gente que acharia esse programa um tédio e pagaria qualquer coisa pra poder participar de uma corrida de camelos ou plantar árvores no Quênia.

   Meus cunhados Jeremy e Hilary, por exemplo. Eles têm grana pra fazer viagens de sonho, ficando em hotéis magníficos, tudo do bom e do melhor. Mas torcem o nariz pra tudo o que é convencional. A lua-de-mel foi na Índia, e as férias do verão passado, no fim dos infernos lááááá no norte do Québec numa ilha onde só tem esquimó, tundra e ursos famintos (eles que não me ouçam, já no Canadá chamar o povo nativo de esquimó é a coisa mais politicamente incorreta que existe). E agora acabam de chegar da… Mongólia! E não de qualquer parte da Mongólia, mas sim do canto leste, totalmente remoto, deserto e gélido, onde passaram duas semanas caminhando e acampando com um guia local. Teve dia que fez menos 20 graus e eles dormindo em barraca. Saca só o trajeto pra chegar lá: Montreal – Vancouver – Seul – Ulaanbaatar – Ulgi.

   Convidaram uns poucos pra um slide show, e contaram, com um entusiasmo inexplicável, o que a gente ia vendo nas fotos. Escolhi as mais bonitinhas pra postar aqui mas tinha uma de um queijo de leite de yak sendo feito numa bexiga de bode e montes de famílias matando bodes e comendo pratos de carne de bode cheia de banha, com as mãos, amontoadas numas barracas redondas chamadas gers onde vivem (pra quê casa, né não?). Um povo baixinho, pobre e sorridente, os mongóis daquele pedaço, quem diria, tomam porre de vódca e falam cazaque. Uau, a mesma língua do Borat! Perguntei, a horas tantas, se os nômades de lá conheciam o Borat. O casal explorador não achou a menor graça. Prróximo slide!

     De mochileira, não tenho nada, mas admiro quem tem pique de viajar com duas mudas de roupa e uma barraca. Principalmente meus cunhados, que já não são mais moleques e mesmo assim correm o mundo assim por opção. Pra eles, luxo é jantar bode com banha e congelar no deserto da Mongólia. Não falei? Tudo é relativo… E pra você, o que é viajar com luxo?

Sábado de sol -  
27/10/2007

            Poucas vezes o carioca torceu tanto por um sábado de sol. Depois da queda da barreira que interditou o Túnel Rebouças, evidenciando o quanto a cidade é dependente dessa via de ligação entre as zonas Norte e Sul, o que todos queremos é que o tempo permaneça bom para que as autoridades façam o seu trabalho e reabram as quatro galerias para todos possam circular livremente (ontem aconteceu a entrega do Prêmio VT, no Morro da Urca. Sabe quanto tempo eu demorei do Arpoador até a estação do bondinho, saindo às 20h de casa? Uma hora e meia – para cumprir um trajeto que faria em, no máximo, 20 minutos num dia de tráfego normal).

            Além disso, as constantes chuvas primaveris da semana passada já estavam mexendo na imagem da população: tava todo mundo meio branquelo – ou ficando branquelo. Carioca, como se sabe, não curte estar branquelo. Esse sábado de sol, então, deixou todo mundo feliz.

            As areias estavam cheias na medida certa.  O vendedor de mate comemorava poder voltar ao trabalho. “Rapaz, é duro ficar em casa sem trabalhar. Torcendo pra ter um engarrafamento pra poder vender os produtos. Se chove direto fico lisinho da silva”.

            Dava para esticar a canga e armar a barraca sem dificuldade. Mas as águas estavam sujas, cheias de plásticos, insetos, latas de alumínio e outros objetos indecifráveis: todo mundo sabe que não se deve mergulhar no mar do Rio no dia seguinte ao de uma chuva forte (e como choveu esses dias, em especial na noite de ontem).

            Deu pra notar que a galera do Posto 9 anda bem feliz. Depois de oito anos de governo da evangélica família Garotinho, a chegada do liberal Sérgio Cabral Filho (defensor da legalização das drogas) ao comando da política fluminense trouxe alívio à turma. A polícia parou de reprimir os baseados. E a galera agradece enfumaçando a praia – do calçadão já dá para sentir a marola.

            O sol brilhou bonito, mas agora algumas nuvens já ameaçam a felicidade geral da nação. Pode ser que volte a chover, para agonia dos que ficaram presos nos engarrafamentos da semana.

            Depois de tostar um pouquinho nas areias de Ipanema, decidi fazer algo que já devia ter feito há muito tempo: conhecer a Adega do Cesare pessoalmente. Meu colega Juarez Becoza, colunista de baixa gastronomia de O Globo, que mantém um blog dedicado aos botecos cariocas no site do mesmo jornal, me garantiu que as empadas de lá são fabulosas – só o chique Clube dos Marimbás, ali ao lado, compra 400 por fim de semana para deleite  dos sócios. Mas custa o dobro no clube. E me disse que o chope é muito bem tirado. Acrescentou que as sardinhas fritas, sequinhas e salgadinhas, deliciosas, custam um troco. Sempre simpatizei com o lugar, ali no comecinho da rua Joaquim Nabuco, em Copacabana, caminho de Ipanema. As rodas de amigos na calçada, os freqüentadores sem camisa com copo na mão, as cadeiras de praia rodeando barris de chope que servem de mesa e todo esse clima informal sempre me atraíram. Mas nunca tinha entrado na Adega do Cesare, embora ela faça parte da paisagem do meu dia-a-dia desde sempre. Nem havia tampouco ficado na calçada, porque para freqüentar a Adega do Cesare não é preciso entrar, ao contrário: o melhor lugar é a rua, onde está a maioria dos habituês do lugar. O máximo que fazia (aliás, uma prática constante nos dias em que bate aquela preguiça de ir pra cozinha) era pegar o telefone e pedir o excelente filé à francesa, que rapidamente nos chega em porção cavalar que pode sevir até três comensais. Custa honestíssimos R$ 31. Carne macia e porção muito boa de batata francesa (aquela frita e depois passada na frigideira com presunto, ervilhas e cebola, delícia) fizeram do prato a primeira opção da família quando queremos pedir algo em casa. Da família e dos amigos.

            Pois bem, fui lá conferir. De cara vi sentado à mesa o Seu Nonô, personagem folclórico daquele pedaço, um ex-pescador octagenário e cheio de saúde que há alguns anos descobriu que podia aplicar às redes de vôlei a mesma técnica de confecção das de pesca. Virou o queridinho dos jogadores, entre eles campeões como Jacqueline. Faz redes para as principais quadras de vôlei de praia do Rio – e muito atleta estrangeiro leva pra casa uma rede do seu Nonô, para muitos a melhor do mundo. Seu Nonô é fera. Para encontrá-lo basta chegar bem cedo ao Posto 6, ali atrás do mercado de peixes, em frente à capelinha de São Pedro. A partir das 5 ele já está lá, tramando suas redes enquanto o sol se levanta. O conheci assim, há uns cinco anos, fazendo uma reportagem para o finado JB. Hoje o simpático senhor bebia um chopinho com os amigos, entre sorrisos e piadas picantes, pelo que deu pra notar. A presença do Seu Nonô e a indicação do Juarez já me fizeram ter a certeza de estar no lugar certo para um chope com empadas no pós-praia.

            Mas alguns cuidados devem ser tomados ali como em todo o lugar. Pra começar, nunca peça uma empada quando restarem poucas no balcão aquecido, um crime contra a qualidade da comida. Vale a regra universal da gastronomia de botequim – no parágrafo dedicado aos salgadinhos que ficam na estufa. Se for o caso, espere, mas nunca, em nenhuma hipótese, coma um salgadinho que repousa na estufa há mais de 15 minutos. Espere a próxima fornada.

            Com fome, ignorei a lei, e pedi a empadinha de camarão que restava solitária na forma de alumínio. Ressecada e fria, foi uma decepção que não deixa saudades. O caldinho de feijão, porém, veio no ponto certo, com textura cremosa, gosto suave de carnes e boa pimenta para acompanhar, embora o azeite não seja dos melhores. O chope de R$ 2,70 vinha no grau, bem gelado (embora devesse ter um pouco mais de espuma) e com boa pressão. Eis que sai da cozinha um tabuleiro fumegante com umas duas dezenas de empadas de camarão.  E a casa se redimiu, comprovando a regra de ouro do botecos: só coma salgados frescos. Massa deliciosa e leve, recheio cremoso, um conjunto equilibrado valorizado pelas gotas de pimenta. Inesquecível. Nem parece ter a mesma origem daquele que havia provado minutos antes. A mesma regra vale para o rissoles, bolinhos de bacalhau e afins. Se não for sair uma nova fornada, peça para fritarem/assarem na hora. A diferença, como na verificada entre as duas empadas, é abissal.  

            No total, foram três chopes, duas empadas e um caldinho de feijão. Saldo? R$ 13,60. Ir à Adega de Cesare é um bom negócio, companheiros.

            Outro dia escrevo sobre casas de perfil bem parecido que funcionam no Leblon, freqüentadas exclusivamente por cariocas que sabem das coisas. O Le Coin (a matriz, o I, e a filial, o II, o Álvaro’s, e o Degrau), sobreviventes das décadas de 60 e 70, quando o bacana era beber uísque comendo coquetel de camarão, estrogonofe, filé à piamontesa e todos aqueles pratos de uma ampla e sem caráter culinária internacional. Endereços imperdíveis para quem quer se sentir carioca. Endereços imperdíveis a quem quer comer bem. Endereços imperdíveis para quem quer economizar. Endereços imperdíveis para fugir um pouco do circuitão turístico. Enfim, endereços imperdíveis. Para cariocas e turistas.

 

   

Receitas para educar um paladar -  
26/10/2007

Em algum blog muito, muito distante, falei sobre a questão das travas psicológicas que bloqueiam a expansão do paladar. Ontem participei de uma dita mesa redonda (que quase sempre são retangulares) com meu nobre colega Arnaldo Lorençato, crítico gastronômico da Veja São Paulo, e a chef e escritora Rita Lobo (um parêntese para divulgar o site da minha companheira de letras, recheado de receitas testadas, bons causos e sacadas interessantes para um assunto que pode render longos cochilos na frente do computador ou da TV – usar “Pá Pum” e “Tanto Faz” na busca de receitas por tempo de preparo são bons exemplos da criatividade da moça). O que me fez lembrar novamente do assunto foi uma história que a Rita contou sobre o filho dela. Curioso, como qualquer criança pequena, ele perguntou certo dia o que era a bolinha enrugada em cima da mesa. A mãe explicou que se tratava de uma uva passa (argh!, diria boa parte dos nossos jovens) e ofereceu o ingrediente para uma prova. Ele comeu, gostou e virou fã. Sempre tentei convencer as pessoas de que meus 9 anos de Guia Quatro Rodas provaram que não existe comida ruim. O que existe é comida mal feita. Nesses momentos, suplico para os mais próximos que não desperdicem chances de provar ingredientes e receitas em lugares onde eles são conhecidos pela excelência (um bom acarajé em Salvador, por exemplo). É sempre uma ótima estratégia para eliminar fobias alimentares baseadas em puro preconceito.

A experiência da Rita só acrescenta outra bela sustentação para essa luta em busca de um paladar mais plural. Da mesma forma que as crianças têm facilidade para aprender línguas nessa fase da vida, elas parecem ter menos travas para aceitar coisas diferentes sobre a língua. Os pais devem aproveitar essa dádiva e salvar, prematuramente, seus filhos de um futuro sombrio, regado exclusivamente a filé com fritas e hambúrguer.

Zagat não é o guia mais respeitado não! - Alexandra Forbes
24/10/2007

Meu caro colega de blog Rafael Lessa que me perdoe, mas vou ter que discordar. Ele diz em post recente  que “todo o ano em outubro, restauranteurs e gourmets ficam afoitos a espera do guia Zagat, o mais respeitado de gastronomia nos Estados Unidos”.
Que os restaurateurs ficam afoitos, não tenho dúvida, mas… o guia dá notas baseado em votantes que nem sempre entendem do assunto. Isso sem falar nos próprios donos dos restaurantes, que certamente dão a si mesmos as melhores notas e esculhambam seus concorrentes (impossível impedi-los). Sou contra esses guias super democráticos. Vou dar um exemplo de falha grave no Zagat: o restaurante do Gordon Ramsay, excelente (leia o post abaixo), só conseguiu 25 pontos de um total de 30 pela comida, enquanto o 15 East, um novo japonês pertinho do Union Square - que eu e minha família achamos uma bela porcaria - levou 26, um ponto A MAIS! Como assim?! Absurdo. E devo dizer que já me meti em muita roubada por ter confiado no ranking deles, até que um dia resolvi parar de usar o guia, apesar de sua praticidade. Prefiro mil vezes confiar no que dizem os críticos Frank Bruni, do New York Times, e Adam Platt, da revista New York.
Acho bem mais confiáveis aqueles guias em que as notas são dadas por experts que visitam centenas de restaurantes incógnitos e a trabalho, anotando tudo, prestando atenção. Exemplo? Nosso querido Guia Brasil
.  Exemplo melhor ainda: o famoso guia Michelin. Aliás, esse, sim, é o guia mais respeitado (e temido) de gastronomia nos Estados Unidos – ou pelo menos em Nova York. E ponto final!

De volta à ativa -  
19/10/2007

Depois de um longo e tenebroso inverno, passado no outono entre vinícolas, castelos, tapas e museus de Portugal e Espanha, esse blog está de volta.
 Muita coisa mudou na cidade de lá para cá. O Flamengo deixou a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro (sorry para os que querem ver o Mengão na Segundona. Não vai ser desta vez...). O outono, período tradicionalmente de tempo ruim por aqui, está uma beleza, sem chuvas. O Rio foi invadido por vacas loucas, coloridas e irreverentes. A Cow Parede carioca, em cartaz até o fim de novembro, espalhou pelas ruas uma centena de estátuas de vaquinhas bem simpáticas, as Cowriocas: do calçadão de Ipanema ao
Shopping Leblon, do Largo da Carioca à Barra da Tijuca. Muitas têm valor artístico absolutamente desprezível. Mas há muita coisa legal. Um prato cheio para as lentes dos turistas. Uma das mais fotografadas é a que está sentada lendo um livro ao lado de Carlos Drummond Andrade no calçadão de Copacabana, ali perto do Posto 6. Divertida também é a Frida Cowhlo, versão bovina da pintora mexicana, com direito a vestido florido, bigode e colares. Dia 11 de novembro o rebanho será leiloado com renda revertida a instituições de caridade. Nos próximo posts mostro umas fotos.

 Outra novidade vem dos bastidores da política: sabe quem é o candidato líder nas pesquisas para a prefeitura? Vagner Montes, ele mesmo. Pois é.
 
Também já estão rolando as comemorações do bicentenário da chegada de Dom João VI ao Brasil, em 2008. Uma exposição excelente sobre a pré-história de Portugal fica no CCBB até janeiro. Nos próximos meses o calendário se intensifica. Tem lançamento de livro, reedição de estudos e coisas mais, digamos, diretamente interessantes e cariocas e turistas, como um festival gastronômico com pratos do período joanino, a começar em dezembro; a exposição de livros e manuscritos, em fevereiro; a reabertura da Antiga Sé, totalmente restaurada, em março; a exposição de Nicolas-Antoine Taunay, em maio (que em agosto vai para a Pinacoteca do Estado de São Paulo).
     Cada mês irá representar um ano do período em que a corte viveu aqui, de 1808 a 1821 (às vezes, dois anos serão condensados em um único mês).
     Veja o que vem por aí.
      
Novembro de 2007
- Reedição do trabalho modelar do engenheiro e arquiteto
Adolfo Morales de los Rios Filho “Grandjean de Montigny
e a evolução da arte brasileira”. A obra foi impressa pela
primeira vez em 1941.


Dezembro de 2007
- Lançamento do livro de Domingos Rodrigues “Arte de
cozinha”, reeditado com apresentação da historiadora Paula Pinto e Silva. A edição acompanhará um livreto contendo uma seleção de receitas da obra de Domingos Rodrigues, testadas e aprovadas por um renomado chef carioca.
A edição do livro será acompanhada de um evento gastronômico nos principais restaurantes da cidade do Rio de Janeiro, que incluirão em seus cardápios pratos típicos da culinária joanina.


Janeiro de 2008 (corresponde ao ano de 1808)
- Lançamento de livro contendo dois folhetos oitocentistas sobre a situação sanitária da cidade do Rio de Janeiro no período joanino. Estes folhetos foram impressos originalmente na Impressão Régia e, nesta re-edição, serão acompanhados de um texto de apresentação de Moacir Scliar, além de estudo original de Alberto da Costa e Silva
sobre o papel da Impressão Régia criada por iniciativa de D. João.


Fevereiro de 2008 (corresponde ao ano de 1809)
- Apresentação à cidade da Restauração do Monumento
Comemorativo de 100 anos da Abertura dos Portos.
- Inauguração de exposição de livros e manuscritos raros dos
tempos de D. João e lançamento do respectivo catálogo.
- Lançamento da reedição da obra clássica de Voltaire, “La
Henriade”, acompanhada de apresentação de Sergio Paulo Rouanet. A edição original foi publicada pela Impressão Régia em 1812.
- Lançamento de Revista em Quadrinhos sobre a
vinda de D. João ao Rio de Janeiro.

Março de 2008 (corresponde ao ano de 1810)
- Reabertura da Antiga Sé restaurada - Espetáculo de
som e luz (8 de março).
- Lançamento da reedição da obra filosófica de Silvestre Pinheiro Ferreira, acompanhada de apresentação de Alberto Venâncio. A edição original foi publicada pela Impressão Régia em 1813.


Abril de 2008 (corresponde ao ano de 1811)
- Lançamento do “Dicionário do Brasil Joanino”, organizado pelo Prof. Dr. Ronaldo Vainfas. Esta edição, a exemplo do Dicionário do Brasil Imperial, verdadeiro sucesso editorial, apresentará ao público cerca de 120 verbetes escritos por especialistas que, baseados em rigorosa pesquisa histórica, pretendem contemplar os principais fatos, personagens, conceitos e instituições do período joanino.
- Espetáculo musical baseado na obra de Marcos Portugal
(Requiem Missa Festiva). O espetáculo será realizado
também nas Lonas Culturais e Vilas Olímpicas da
Cidade do Rio de Janeiro. 


Maio de 2008 (corresponde ao ano de 1812)
- Abertura da exposição “Nicolas-Antoine Taunay no Brasil: uma leitura nos trópicos”, sob a curadoria de Lilia Moritz Schwarcz, no Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro e lançamento do respectivo catálogo. Nesta exposição um grande número de quadros de autoria do pintor francês será apresentado pela primeira vez no Brasil, país em que Taunay permaneceu entre 1816 e 1821 como integrante da Missão Artística Francesa. A mostra será composta por aproximadamente 60 telas do pintor, em sua maioria realizadas no Brasil. Há também telas representativas de sua passagem pela Itália e outras, feitas em seu retorno à França, quando são evidentes as marcas deixadas por sua passagem pelos trópicos.
- Espetáculo musical baseado na obra do Padre José Maurício.  O espetáculo será realizado também nas Lonas Culturais e Vilas Olímpicas da Cidade do Rio de Janeiro.



Julho de 2008 (corresponde ao ano de 1815)
- Lançamento em circuito nacional, de filme de longa metragem sobre D. João e a cidade do Rio de Janeiro.
- Abertura de exposição sobre Grandjean de Montigny no
Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro e lançamento
do respectivo catálogo. Esta mostra pretende apresentar os originais do arquiteto francês, com ênfase aos projetos não executados, que se pretende reproduzir em maquetes.
- Lançamento do CD gravado durante o espetáculo musical
baseado na obra de Marcos Portugal (Requiem Missa Festiva).


Agosto de 2008 (corresponde ao ano de 1816)
- Abertura da exposição “Nicolas-Antoine Taunay no Brasil: uma leitura nos trópicos”, sob a curadoria de Lilia Moritz Schwarcz, na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
- Lançamento do livro “Memória da Restauração da Antiga Sé”, pela Fundação Roberto Marinho.
- Lançamento de cd gravado durante o espetáculo musical baseado na obra do Padre José Maurício.
- Espetáculo musical baseado na obra de Sigmund Neukomm
(Missa Aclamação). O espetáculo será realizado também nas
Lonas Culturais e Vilas Olímpicas da Cidade do Rio de Janeiro.

 
Setembro de 2008 (corresponde ao ano de 1817)
- Lançamento do Repertório de fontes sobre o período joanino.
- Lançamento da edição revista e ampliada da Bibliografia da
Impressão Régia, em parceria com a Fundação Biblioteca
Nacional.
- Lançamento de cd gravado durante o espetáculo musical de
modinhas e lundus.


Outubro de 2008 (corresponde ao ano de 1818)
- Publicação da redação e do desenho sobre D. João no Rio
de Janeiro, feitos por alunos da rede municipal de ensino
e premiados pela Comissão DJVI.
- Grande espetáculo teatral, encenado na Praça XV de
Novembro, produzido por Moacir Chaves, representando
os principais episódios do período joanino.


Novembro de 2008 (corresponde ao ano de 1819)
- Lançamento do conjunto de vinte gravuras sobre D. João
no Rio de Janeiro, impressas pela Lithos, acompanhadas
de textos de época, encadernadas em edição de luxo de
grande formato e tiragem limitada.
- Lançamento de CD gravado durante o espetáculo musical
baseado na obra de Sigmund Neukomm (Missa Aclamação).


Dezembro de 2008 (corresponde aos anos de 1820 e 1821)
- Publicação da monografia vencedora do Prêmio D. João VI.

Junho de 2008 (corresponde aos anos de 1813 e 1814)
- Lançamento da reedição de dois romances editados
originalmente na Impressão Régia, em um único volume,
com apresentação da professora Lúcia Bastos.
Cabe destacar que os romances editados pela Impressão Régia do Rio de Janeiro refletem o tipo de leitura realizada pelas senhoras da Corte de D. João. Muitos romances apresentam títulos pitorescos como, por exemplo, “O castigo da prostituição”, “As duas desafortunadas” , “A filósofa por amor”, “História da donzela Teodora”, entre outros.
- Espetáculo musical de modinhas e lundus. O espetáculo será realizado também nas Lonas Culturais e Vilas Olímpicas da Cidade do Rio de Janeiro. 

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