Viajar bem e barato

Rachel Verano
É jornalista e vive na Europa desde 2005. Nunca acampou, detesta banheiros coletivos, comprou uma calculadora, decorou a lista das cias aéreas low-cost e não parou mais de viajar. Descobriu que dinheiro não é tudo na vida (mas o cartão de crédito às vezes ajuda).

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Volta ao Mundo: brincando de Indiana Jones

Rachel Verano - 18/08/2008

Desde que comecei a preparar a minha primeira viagem de volta ao mundo, que começa em outubro e vai durar um ano inteiro, descobri um mundo novo de acessórios espetaculares. Em várias incursões a lojas especializadas em viagens e esportes, encontrei uma infinidade de produtos que eu jamais imaginei que existissem. E o melhor: são super úteis. Não resisti. Eis os componentes Indiana Jones que farão parte da minha bagagem:

- Mosquiteiro portátil
Dobrado, fica do tamanho de uma toalha de mãos (das pequenas) enrolada. E quebra o maior galho, ainda mais no verão do Sudeste Asiático, perto de praias e arrozais, onde os insetos se multiplicam na velocidade da luz. Tem para cama de casal e de solteiro.

- Malha de aço protetora de bagagens
Objeto de valor na mala? Antes de sair do quarto é só abraçá-la com a malha de aço e prender, com um cadeado, em algo fixo.

- Saco estanque
Perfeito para câmeras, laptops e coisas que não podem molhar em geral em passeios de barco. Há modelos flexíveis de borracha que, dobrados, ficam do tamanho de uma bolsa pequena.

- Saco de dormir de seda
Foi a melhor descoberta, dica de uma amiga que já tinha passado aperto no Vietnã. Segundo ela, muitos hotéis bacanas não têm roupas de cama tão, digamos, limpinhas para os nossos padrões. Menor que uma fronha dobrada (e tão leve quanto), ele faz as vezes de lençol completo. E, por ser de seda, é perfeito para o calorão.

- Travesseiro inflável
Há alguns maleáveis, com cobertura de veludo, que não ficam tão duros e se adaptam ao formato do pescoço.

- Saco de dormir térmico
Em lojas especializadas há diversas opções para temperaturas variadas. Comprei um perfeito para temperaturas entre 5ºC e 10ºC. A idéia não é acampar com ele nem nada. É não morrer de frio nos hotéis sem calefação (super comuns) no inverno do norte da Índia e do Nepal, onde vou estar entre outubro e fevereiro.

- Toalha de banho de secagem rápida
Sabe aqueles paninhos amarelos de cozinha, que você torce e eles já estão secos? O princípio deste tecido é o mesmo, mas, claro, ele é mais macio (e mais fino também). Depois do banho, é só dar uma torcidinha e a toalha seca em minutos. Super leve, ela pesa menos que uma camiseta de malha ocupa a metade do espaço.

- Kit de talheres dobráveis e portáteis
Uma colher, uma faca, um garfo. Juntos no estojo, ficam do tamanho de um maço de cigarros. Perfeitos para quebrar galho em cafés da manhã no quarto, piqueniques, saídas de barco para mergulho, trekkings etc etc etc.

Isso sem contar no canivete multi-uso (com saca-rolhas, claro), na lanterna fininha e poderosa, nas calças com tecido repelente... Ok, ok, não vou desbravar nenhum canto inexplorado do mundo, mas uma porção Indiana Jones em lugares mais carentes de infra não faz mal a ninguém...

PS: tudo isso ocupa quase nada de espaço. Sigo com a minha única mochila de 70 litros e nada mais. :-)

(foto: Anthony Seebaran)

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Volta ao mundo: a bagagem perfeita

Rachel Verano - 15/08/2008

Confesso que ainda hoje eu sofro na hora de arrumar a mala. Sempre quero levar mais coisa do que devo ou consigo carregar. Já tentei de tudo, mas é mais forte do que eu. Sempre acabo carregando peso demais, mala de mão demais, tudo demais.

Talvez por isso o meu maior dilema depois de comprar as passagens da volta ao mundo tenha sido escolher a mala ideal. Como sobreviver um ano inteiro com a mesmíssima mala? E ainda por cima pulando de canto em canto, de cidade em cidade, de país em país, de hotel em hotel? Mala grande de rodas eu já sabia que não dava. E mochilão também não, sempre tive verdadeiro horror daquelas mochilas mais altas que a cabeça que forçam qualquer pessoa a andar curvado que nem um caracol.

Eis que então ela se materializou na minha frente, depois de uma super dica de uma amiga viajante descoladíssima: a Mari Maciel, que tinha acabado de voltar da sua segunda longa viagem pela Ásia. E era linda, perfeita. Uma mistura de mala e mochila. Uma mala com alça nas costas. Ou uma mochila com rodas e alça de puxar?




A porção mochila se revela nas costas. Você abre um fecho super discreto e as alças aparecem num passe de mágica. Reguláveis, anatômicas, de encaixe perfeito na cintura.



Já a porção mala se revela na distribuição do espaço, nas laterais rígidas e no zíper, que dá a volta completa na mala. Ou seja, quando você abre, nada daquele perrengue de ficar catando as coisas no fundo do saco, com tudo empilhado. Você enxerga tudo de uma vez só. E ainda há bolsos e subdivisões perfeitos para separar sapatos, roupa suja etc.



A maior vantagem é que ela se adapta ao cenário. Em cidades e destinos civilizados em geral, vai no chão, numa boa. Em terrenos acidentados (ou sujos, ou cheios, ou molhados) ela vai para as costas no ato.

Há marcas e modelos variados no mercado, mas este aí da foto (de 60 litros + 10, numa mochilinha acoplada na frente, da marca Geonaute) é campeão na relação custo-benefício. Eu comprei na Decathlon, uma mega store de material esportivo, por - acreditem! - apenas 79 euros (o equivalente a 200 reais) numa super mega duper promoção. Vai passar antes pela Europa? Vale super a pena comprar por lá (o preço normal é de 99 euros). No Brasil, tem Decathlon em São Paulo (em Campinas, na Raposo Tavares, na Praia Grande e, na capital, no Morumbi e no Center Norte). O preço recomendado é 399,90 reais. Ainda assim uma super pechincha se comparado aos preços de malas em geral no Brasil.

(as fotos são do site da Decathlon)



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Volta ao mundo: check-list

Rachel Verano - 13/08/2008

Quanto mais longa e complexa uma viagem, mais tempo ela demanda de programação. Óbvio, né? Mas eu, acostumada a desligar o computador e correr pro aeroporto sempre a menos de duas horas da decolagem (ô vício maldito), estou penando pra me adaptar com tantos detalhes. Sorte que ainda tenho 2 meses pros últimos detalhes. Além de todo o dever de casa, que inclui filmes, documentários, livros e guias, existem as coisas burocráticas e obrigatórias mesmo. E não são poucas. Compartilho aqui o meu check-list:

* Vistos: missão impossível, não dá para pegar todos com antecedência mesmo. Melhor baixar a ansiedade. Ainda mais numa viagem de um ano e que engloba vários destinos. Muitos expiram em poucos meses (a data do start normalmente é a data da emissão, não a da entrada no país). A sorte é que na maioria dos países da Ásia é possível pegar o visto na entrada. Ou então pelo caminho, nos países vizinhos. A exceção é o Japão, que exige que o visto seja emitido no país de origem. Outros países que exigem que o visto seja emitido com antecedência e no país de origem: Estados Unidos, Canadá, Austrália.

* Vacinas: é fundamental consultar as exigências de cada destino. Há médicos especialistas em infectologia e medicina do viajante que podem ajudar bastante. Antecedência é extremamente importante, pois algumas vacinas são aplicadas em doses espaçadas (como a de hepatite). Febre amarela é a mais comum, mas ela só vale 10 dias depois.

* Cartões: não custa dar uma conferida na validade dos cartões, tanto de crédito quanto da conta corrente, para evitar sustos. Se forem expirar no meio da viagem, vale pedir outros com antecedência.

* Seguro de viagem: é imprescindível contratar um que dure o tempo da viagem toda. Não é barato, mas ficar doente e pagar do bolso dói muito mais, pode acreditar.

* Farmacinha básica: além das aspirinas e neosaldinas e buscopans e anticoncepcionais da vida, é bom ter alguns exemplares para doenças corriqueiras recomendados pelo seu médico de confiança.

* Cópias dos documentos: além de ter sempre um xerox, uma boa pedida é escanear cada um dos documentos pessoais e mandar para o próprio email. No caso de perda, roubo ou consulta de emergência, fica fácil localizá-los.

* As burocracias no Brasil: é sempre bom deixar uma procuração de plenos poderes para que alguém da sua extrema confiança possa resolver problemas (bancários, de documentos etc) na sua ausência.

* A mala ideal: não é nem grande nem pequena, é fácil de identificar, deve ter rodinhas e ser fácil de transportar. Eu encontrei a perfeita para mim: uma mochila de 60 litros, anatômica, e que - tchan nam - tem rodinhas acopladas e pode ser puxada como uma mala carrinho qualquer (menos nas ruas lamacentas da India, claro).

* As roupas adequadas: cores básicas, tecidos fáceis de secar e de lavar e tênis adequados para todo tipo de clima são o básico. Considere também as roupas de baixo para o frio (há opções térmicas em lojas especializadas), casacos que cortam o vento e são impermeáveis etc etc etc.

* De olho no peso: o que você levar na mala você vai ter que carregar. Ou seja, se exagerar, pior pra você. Considere ir descartando coisas pelo caminho. Enviar as compras pelo correio é uma excelente opção - além de super barata. Os envios de navio demoram 3 ou 4 meses, mas custam muito pouco (livros, menos ainda).

Nos próximos posts vou detalhar cada um dos tópicos acima, com opiniões de especialistas.

Veja ainda:

Minha primeira volta ao mundo!
Volta ao mundo: passagem, o 1º dilema
Volta ao mundo: passagem, dilema resolvido
Passagem de volta ao mundo parte 1: como a coisa funciona
Passagem de volta ao mundo parte 2: a Star Alliance
Passagem de volta ao mundo parte 3: a One World
Passagem de volta ao mundo parte 4: a Sky Team

(crédito da ilustra: Stacey Walker)

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O que o Brasil tem de melhor?

Rachel Verano - 10/08/2008

Qual é a praia mais bonita do nosso litoral? As queridinhas de Noronha ou a Praia do Espelho?

Qual o melhor museu do país? O Masp, com os seus highlights internacionais, ou o Inhotim, em Minas, imerso num belo jardim recheado de esculturas?

E entre as igrejas, quem ganha - Ouro Preto, Salvador, Congonhas ou Rio?

O Guia 4 Rodas radiografou mais uma vez todo o Brasil em busca das nossas atrações mais fantásticas - e chegou a um total de 26. Agora é a nossa vez de eleger a melhor das melhores. Quer ver a sua eleita lá? Vote aqui. Eu que não quero ver o Espelho fora do topo de jeito nenhum. :-)

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O melhor de Buenos Aires: dicas de amigos

Rachel Verano - 08/08/2008

Como eu demorei taaaaaanto a conhecer Buenos Aires, não faltaram dicas especiais de amigos sobre o imperdível do imperdível. Não tive tempo de ver tudo, claro, mas tudo o que eu consegui eu considero fundamental. A elas:
 
Parrilla: segundo a Nana e o Demian, do Que Bicho Me Mordeu, eu tinha que ir ao Don Julio (Guatemala 4691, com Gurruchaga, tel. 54/11 4831-9564), em Palermo Soho, de qualquer jeito. Comi o melhor bife de lomo da minha vida, acompanhado de uma saladinha de tomates secos e rúcula. De sobremesa, doce de leite. A conta deu 50 pesos por pessoa, com bebidas e tudo mais. Também adorei o Cabaña Las Lilas, do grupo Rubayat, embora muito mais caro (110 pesos por pessoa).
 
Sorvete: segundo a Carô, os da Freddo (vários endereços espalhados pela cidade) eram os melhores. Os sabores de banana split (banana com pedacinhos de chocolate e doce de leite) e doce de leite com nozes seriam os imperdíveis. Acrescento um mais, que repeti todos os dias: dulce de leche tentación, um sorvete de doce de leite misturado com doce de leite natural. I-nex-pli-cá-vel. Custa desde 8 pesos.

Tango: segundo o Eduardo, o Café Tortoni é a melhor casa de tango da cidade pelo conjunto da obra. Pequenininho, intimista, sem produções tipo Broadway, frequentado também por argentinos, barato etc etc etc. Tirando a interatividade do início, e a comida sofrível (quem manda querer comer na hora de ver show?), eu adorei. O preço: 70 pesos por pessoa. O Rui também me indicou o Café Ideal e o Ricardo, o Señor Tango, mas não tive tempo de conferir...

Restaurante Moderninho: a Manu e o Alberto praticamente nos obrigaram a ir ao Olsen (Gorriti, 5870, tel. 54/11 4776-7677), uma casa de sotaque escandinavo com uma carta de vodcas sensacional. Bom lugar para começar a balada, embalada pela batida de gengibre, leite condensado e Absolut, um perigo! As batidas de vodca, feitas em máquinas de marguerita, chegavam cremosas. Meu suflê de queijo de cabra com geléia de marmelo estava ruim, mas a massa com salmão defumado e o patê de foie com cogumelos vale a pena. Música eletrônica alta, lareira para esquentar, gente bonita e preço ótimo: 60 pesos por pessoa. A Tati, a Mari, a Pati e a Gi me recomendaram ainda o Sucre, mas não deu tempo...
 
Guloseimas:
Ok, ok, a Havana (várias lojas e cafés pela cidade) não tem nada de original, até já tem em São Paulo. Mas o que a Manu e o Alberto (de novo!) nos recomendaram não foram os alfajores, já velhos conhecidos nossos, mas as havanets, uma espécie de nhá-benta recheada de doce de leite. Não tenho palavras. O doce de leite é cremoso, macio, aveludado. A de chocolate branco é ainda melhor (atenção!!! no aeroporto só vende a de chocolate ao leite!). Cada uma custa 2,50 pesos.

Museu: o Segismundo disse que, se é para escolher um museu em Buenos Aires, que seja o Malba, dedicado à arte latinoamericana, inaugurado em 2001. Imperdível. Entre os highlights está o Abaporu, da Tarsila do Amaral (na foto baixo, de divulgação do site). Tem ainda, no acervo permanente, obras de Frida Kahlo e Diego Rivera, Di Cavalcanti, Helio Oiticica, Lygia Clark... A entrada custa 15 pesos.


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