José Eduardo Camargo é editor dos Guias Quatro Rodas. Zé Edu escreve letras de músicas e acredita que a MPB não morreu, mas respira por aparelhos. Vez em quando usa suas experiências de viagem para compor. Quando em vez, acha que compor é a maior viagem.
*por Pedro Henrique Araújo
Neste exato momento ouço o CD do talentoso guitarrista pernambucano Lúcio Maia. Uma mistura de beats eletrônicos, samplers e riffs, de fato, intrigante. O projeto chama-se Maquinado e Homem Binário é o primeiro trabalho solo do guitarrista - primeiro de muitos, espero.
Ainda falando de projetos paralelos de músicos da Nação Zumbi, Na Confraria das Sedutoras, do 3 na Massa, um CD conceitual criado pelos também inquietos pernambucanos Pupillo e Dengue (baterista e baixista, respectivamente), além do habilidoso produtor da terra da garoa, Rica Amabis. Escrito por letristas como o carioca Rodrigo Amarante (já citado em outra coluna) e os pernambucanos Junio Barreto, Jorge du Peixe (também da Nação Zumbi) e Lirinha (do Cordel do Fogo Encantado), as interpretações são as mais variadas possíveis e a sensualidade viaja da leveza da paulistana Céu ao ritmo marcante de Lurdes da Luz, MC do Mamelo Sound System.
Saindo um pouco dos projetos paralelos do pessoal da Nação Zumbi, podemos ir até Nazaré da Mata e encontrar a nova banda de Siba, ex-vocalista do Mestre Ambrósio (grupo que fez parte da cena manguebeat nos anos 90). O projeto chama-se Siba e a Fuloresta e resgata a regionalidade. São dois CDs, o último, lançado há pouco tempo, chama-se “Toda Vez Que eu Dou Um Passo o Mundo Sai do Lugar” e conta com ilustrações da dupla de grafiteiros Os Gêmeos.
E só para finalizar, ainda tem o novo trabalho solo do ex-vocalista do Sheik Tosado, China, e mais um sem fim de idéias pernambucanas fervilhando na cena musical brasileira, mas a continuação desta história fica para outros posts.
Se você quiser conhecer um pouco da cidade do Recife, dê uma olhada na página do Viajeaqui, com todos os hotéis e restaurantes do Guia Quatro Rodas.
E para continuar o assunto em ritmos que lembrem o Pernambuco. Aí vai uma música da minha antiga banda, Artefato MOSH
Paranatama
Esse som vem do trovão
Batucada no terreiro
Capoeira bem jogada
É o ritmo brasileiro
É o que garante nosso jeito de pensar, enfrentar obstáculos sem medo de errar
Somos herdeiros de Lampião
Descendentes de Zumbi
E com fé no coração
Nunca deixaremos de sorrir
Samba, frevo e carnaval
Cultura brasileira sem igual
Boi bumbá, forró e jogar bola
Foi assim que eu aprendi
E assim que fiz escola
A miscigenação corre nas veias
E o meu coração bate mais forte
Somos como moscas na teia,
Mas somos também um povo de sorte
Olha lá, olha lá, o caboclo vai passar
Olha lá, olha lá licença deixe-me entrar.
Capitanias hereditárias
Heranças de um ideal
Atrasada reforma agrária
E um governo neoliberal
Capitalismo financeiro
Economia global
Com um povo sem dinheiro
E o homem de terno é o animal
Olha lá, olha lá, o caboclo vai passar
Olha lá, olha lá licença deixe-me entrar.
Como Garrincha e Pelé
Driblamos a desilusão
E como um povo de fé
Alimentamos a UNIÃO
Os problemas são visíveis
E as soluções também
Boa vontade dos poderosos
E poderes para o nosso bem
Nessa terra tem palmeiras
Tem também corrupção
Nosso povo heróico e brado
Representam essa nação
O Brasil não é só atração turística
É um país que pode melhorar
Vamos contrariar as estatísticas
E fazer tudo isso de uma vez mudar
Olha lá, olha lá, o caboclo vai passar
Olha lá, olha lá licença deixe-me entrar.
Lá vem o retirante nordestino
Que veio pra cá menino
Tentando a vida mudar
Olha é mais um cabra da peste
Homem vindo do nordeste
Disposto a trabalhar
Homem feliz que não tem medo
Mesmo com tanto desprezo
Decidiu a não voltar
O caboclo representa essa terra
Que tem tanta miséria
E nós queremos mudar
Baixe o arquivo (.mp3)
Pedro Henrique Araújo é estagiário do viajeaqui e é um pernambucano que nasceu em São Paulo