Fabio Steinberg passou a maior parte de sua vida profissional entre quatro paredes corporativas. Um dia descobriu o jornalismo. Depois, o jornalismo de viagens. E logo depois, o jornalismo de viagens de negócios. Mas ele gostou mesmo foi quando descobriu que pode viajar e ainda ser pago. Resultado: agora ele só pensa nisto, e até se tornou especialista no assunto.
De tão óbvio, parece que ninguém notou. Exceto os olhos treinados da Accor. Faltava no mercado uma categoria de hotel que oferecesse um produto ao mesmo tempo confortável – aí incluído ar condicionado, janelas anti-ruído, chuveiro quente - limpo, seguro (inclusive com estacionamento) e barato. O que havia antes eram hotéis bons, mas caros. Ou ao contrário: baratos, mas ruins. Foi assim que nasceu o mais jovem membro da família Accor no Brasil, o Formule 1. Ele é uma espécie de fusca dos hotéis. Básico sem perder as funções exigidas por quem quer ser hospedar bem e com pouco.
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O primeiro teste do conceito surgiu dez anos atrás através da linha Ibis - uma das cinco categorias segmentadas pela empresa, e que vai do topo de linha do sofisticado Sofitel ao conceito mais essencial, que é o Formule 1. Hoje há 47 hotéis Ibis em operação. O novo rebento da Accor, ao que tudo indica, segue a trilha do sucesso. A oitava unidade, localizado em frente ao Shopping Morumbi, em São Paulo, com 20 dias de vida, já apresenta taxas de ocupação em seu 375 apartamentos de 50% - com picos de 89%.
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Qual o segredo deste sucesso? O Formule 1 é um hotel desprovido de complementos, onde o que vale é o seu lado prático combinado a uma boa noite de sono. Por não ter frigobar ou serviços complementares como alimentação, opera sem checkout. Ou seja, um lugar ideal para pouso de profissionais ocupados e apressados. Exceto pelo café da manhã opcional, cobrado à parte – os mais que razoáveis R$ 80,00 da diária são pagos na chegada. Quem explica isto é o diretor geral da Accor Hospitality para a América Latina, Roland de Bonadona, um simpático e sofisticado francês que depois de 18 anos mais parece um brasileiro com sotaque.
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“O interessante é que criamos também uma nova opção de mercado”, explica Bonadona. “Pesquisas indicam que boa parte dos usuários do Formule 1 é formada por gente que antes dormia em casa de parentes ou amigos”. Em Belo Horizonte, este índice chega a 50%, e em São Paulo 20%, conta. Além das duas cidades, a categoria opera também em Curitiba, Tamboré, Belém e Vitória.
Mas um aviso a eventuais navegantes interessados em singrar
por estes mares. Um hotel como este não nasce do dia para a noite, através de simples
reformas e adaptações de velhas estruturas já existentes. Não. Exige um projeto
original e investimentos para contar com uma rede que garanta escala. E também deve
nascer só após criteriosa avaliação de sua localização. para garantir fácil
acesso do hóspede ao comércio, restaurantes e transportes no entorno.