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Fabio Steinberg passou a maior parte de sua vida profissional entre quatro paredes corporativas. Um dia descobriu o jornalismo. Depois, o jornalismo de viagens. E logo depois, o jornalismo de viagens de negócios. Mas ele gostou mesmo foi quando descobriu que pode viajar e ainda ser pago. Resultado: agora ele só pensa nisto, e até se tornou especialista no assunto.

Los Angeles se reinventa e cria sua própria Times Square

Toda cidade precisa de um ponto, um local, uma referência, para ser lembrada de forma fácil pelo viajante. Em suma, é necessária uma marca que resuma todas as experiências e diferenciações da cidade em relação às outras. Se há um lugar que sofria pela falta deste conceito era Los Angeles. Até recentemente a cidade parecia mais uma série de lugares interessantes ligados por freeways, sem uma identidade que simbolizasse o conjunto.

 

Estes dias de falta de personalidade de Los Angeles parecem contados. Em um projeto de 2.5 bilhões de dólares, que levou uma década para se completar, chegou L.A. Live. Construido no centro da cidade, este novo conjunto de atrações é classificado por Lisa Herszlich, sua vice-presidente e diretora superintendente, como a “Times Square do oeste americano”.

 

Ela tem razão. Dividido em três fases, o primeiro, que inclui o imponente Teatro Nokia com 7100 lugares e a sua praça, impressiona pelo prédio, o espaço, e as torres com painéis luminosos. E no meio de tudo, nada mais natural que uma estátua estilizada de uma simpática e sensual anja, desenvolvida para se tornar não só o símbolo do lugar. E também um futuro ícone.  Em novembro deste ano chegam restaurantes e night clubs, hotéis, e finalmente virão hotéis com mais de mil quartos a cargo das cadeias Marriot e Ritz Carlon, combinadas com condomínios de luxo, além de 14 cinemas.

 

 

Apesar de contar com 300 dias de sol por ano, faltava à cidade um jeitão mais amigável para o turista, pois ninguém sabia ao certo onde começava e onde terminava Los Angeles. A idéia foi revitalizar o centro, hoje perfeitamente seguro, e torná-lo aprazível para caminhar – algo que New York ou San Francisco têm de sobra. Em paralelo, ainda falta melhorar o sistema de transporte coletivo – o que já vi a ocorrer, como explica Mark Liberman, presidente e CEO da LA Inc, que é como se chama o bureau de convenções e visitantes da cidade. Ele vai ter trabalho. Por exemplo, pouca gente sabe, mas por lei é proibido parar um táxi na rua, o que ainda até que a legislação seja modificada, coloca os turistas sem carros reféns das ruas e da sorte. São leis criadas nos velhos tempos em que o automóvel era o rei da cidade e o petróleo ainda era muito barato. Hoje isto soa como um anacronismo, tão antigo quanto os velhos e disfuncionais prédios que começam a renovados – um esporte favorito dos americanos.           

 

O maior problema de Los Angeles passou a ser acompanhar as mudanças do mundo e deixar de viver dos velhos louros que a consagraram, ou seja, exclusivamente da indústria do cinema, leia-se Hollywood. Não que isto não interesse, mas esta dependência não se harmoniza com a diversidade de atrações que as demais cidades passaram a oferecer ao visitante. Ao coordenar esforços – um aeroporto mais bem estruturado, inclusive com a construção de um mega-lounge para receber viajantes internacionais de negócios, um novo museu de arte contemporânea (o último foi o Getty Center), novas atrações como o Simpsons Ride, da Universal, a renovação de hotéis, reforço no transporte coletivo, áreas turísticas integradas pelo projeto West Hollywood, que conta inclusive com uma rua de pedestres com a Lincoln Road de Miami, e agora coroado pelo L.A. Live, Los Angeles aposta na sua capacidade de se reinventar como cidade para entrar no radar dos turistas.

 

Para os brasileiros, esta iniciativa da cidade se complementa a uma boa notícia: a volta, finalmente, de um vôo direto entre São Paulo e Los Angeles, aos cuidados da Korean Air. E começa com um pé direito, pois a empresa prima pela qualidade do serviço e respeito ao passageiro. Um assunto que anda fora de moda no mundo e de triste memória no Brasil desde que a Varig saiu do ar. 



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