Fabio Steinberg passou a maior parte de sua vida profissional entre quatro paredes corporativas. Um dia descobriu o jornalismo. Depois, o jornalismo de viagens. E logo depois, o jornalismo de viagens de negócios. Mas ele gostou mesmo foi quando descobriu que pode viajar e ainda ser pago. Resultado: agora ele só pensa nisto, e até se tornou especialista no assunto.
Estava na sala de imprensa do centro de convenções de Los Angeles, onde acontece por três dias o NBTA – evento anual dos gestores de viagens, quando senti que o edifício balançava forte. Lembrou um navio em alto mar em dia de forte tempestade. Um ziguezague de gangorra de derrubar prédio, mas que o moderno centro de convenções tirou de letra. Parecia que a construção já estava acostumada com isto. Como naquela hora estava sozinho, achei que havia exagerado na percepção. Escolado com a experiência em São Paulo há poucos meses atrás, quando um tremorzinho de nada colocou todo mundo apavorado à toa, dei uma de californiano e fingi que não era comigo.
Pouco a pouco as pessoas começaram a chegar perguntando “o que foi isto?”. A maioria absoluta, muito calma, continuou os seus afazeres. Da janela vi que os operários e profissionais continuavam a montar os estandes da feira, nas inúmeras salas do centro os mais de 6 mil participantes continuavam, depois de breve intervalo, as suas atividades, nada indicava que o problema tivesse qualquer importância. Uma pessoa, seguramente local, comentou em tom bem blasé, como se tivesse ouvido um trovão, que “pelo tipo de balanço chegou a uns 5 pontos”.
Como a internet estava funcionando sem problemas, entrei no site da CNN, mas que não trazia ainda qualquer informação. Aí entrei num link de uma organização do governo americano que monitora os terremotos . Num mapa que mostra o que está acontecendo, descobri que havíamos enfrentado uma sacudidela de 5.8 na escala de magnitude, mas considerada pelas autoridades como “moderada”. Só este ano, soube mais tarde, 40 deste tipo já aconteceram. Como na vida tudo é questão de se adaptar às circunstâncias, os californianos parece que se acostumaram de tal forma a isto que lembra paulista quando fala em trânsito difícil.
Vida normal, nenhum estrago visível, apenas o susto, quando pelo sistema de alto-falantes do centro de convenções um funcionário estressado mas que devia ter tomado lexotan para se garantir, falou em um tom entre o exaltado e o sonolento que era para ninguém se preocupar, e continuar com suas atividades normais. Nem precisava. Mas lendo as noticias na internet, num site brasileiro que conseguiu achar uma pessoa a 80 quilômetros do epicentro, que ocorreu na região da Grande Los Angeles, parece até que o mundo acabou. O pior estrago que ouvi foi de uma senhora que estava na Macy’s e viu um monte de mercadoria cair da prateleira na hora do agito. Quem não gostou nada disto foram os vendedores, que tiveram que arrumar a bagunça. Fora isto, nada de grave. Até o Alec Baldwin, que apareceu na hora do almoço para faturar uma graninha como conferencista, fez uma piada do assunto. Por sinal, tão sem gracinha que ninguém riu.