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Por trás das lentes

O dia-a-dia dos fotógrafos da NGBrasil

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Todos os dias, agora, os principais colaboradores da National Geographic Brasil irão discutir seu trabalho com os internautas. Você vai poder descobrir as aventuras que às vezes eles vivem na busca de uma imagem, ouvir dicas sobre situações delicadas de luz ou partilhar da experiência pessoal deles durante a documentação de um tema.
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Workshop de Fotografia no Pantanal - Resultado da Expedição

Izan Petterle - 19/11/2008


Foto: Andrea Ribas

Hoje quero apresentar o resultado das pessoas que participaram do workshop que organizei junto com o fotógrafo Greg Gibson. Por gentileza, façam os seus comentários aqui no blog.

Para mais depoimentos e imagens, por favor, façam uma visita ao www.greggibson.com/blog

Muito obrigado a todos que estiveram conosco nessa jornada. A seguir, os depoimentos:

Sou urbaníssima e não fotógrafa. Classifico minhas fotos como medíocres. Entorto os planos busco os ângulos indesejáveis e adoro cortes que irritariam os editores mais liberais. Confesso que acordar às 5h da manhã não foi nada. Sacrifício foi passar uma "poção misteriosa" de enxofre, filtro solar e citronela no corpo para me proteger dos carrapatos, mosquitos e do sol - a temperatura média estava em torno dos 45ºC.

Fotografei sem compromisso, pelo prazer de "tentar" pintar com a câmera o que encantava meus olhos e meus sentidos. Nossos sensos crítico e de observação foram estimulados. Descobri que conhecer os recursos da câmera é nada. O grande desafio é aplicar tudo embutido naquele "corpo mágico", com a mesma velocidade com que a luz se altera, o sol se põe, as nuvens mudam de cor e formas.. E sabem o que mais? O galope dos cavalos sobre as águas não congela, como nos filmes! Tudo passa diante das lentes numa fração de segundo e lá se vai a foto que SERIA ma-ra-vi-lho-sa!

Vivi  uma experiência extraordinária em minha vida !

Carinhosamente,
Duda Escobar

Pela segunda vez participei do workshop no Pantanal. É uma experiência incrível pois a oportunidade de termos dois profissionais nos orientando, cada um com sua linguagem é enriquecedor!!! E como o próprio Izan nos disse um dia: “Fotógrafo é como escritor: podemos escrever textos ou poesias”. E creio que esse WS nos deu essa visão de poesia. O que me fez querer participar pela segunda vez deste workshop foi o fato de poder experimentar em meu trabalho, novas formas de criar imagens, novos pontos de vista, novos conceitos, novas linguagens, enfim a possibilidade de se reinventar. Para mim, os conhecimentos transmitidos por Izan e Greg vão além de técnicas de fotografia, percepção da luz, novas amizades, contatos profissionais e até direção de cena. Realmente é muito difícil descrever em poucas palavras o que esta viagem significou para meu crescimento profissional. Só posso dizer uma coisa: Virei fã dos trabalhos de Izan e Greg!

Abraços
Roberta Cadore



A experiência que tivemos no Pantanal foi intensa e gratificante. Gostei muito de acompanhar a produção das fotos, aproveitando ao máximo a cultura e os hábitos locais. Também foi muito bom estar em contato com o Greg Gibson, de quem pude aprender a utilizar a luz natural para retratos com dramaticidade... Nossa viagem foi um combinado de lições de fotografia avançada, produção, análise de equipamentos e contato humano maravilhoso!

Ines Antich

A parte mais benéfica da expedição foi ver o Greg usar o LighRoom. Foi muito educativo ver como usar os ajustes locais nesse programa para fazer diferentes exposições em partes da imagem. Também foi muito importante ter aprendido como usar o comando de compensação de exposição, localizado no corpo da câmera. A expedição foi um mix de emoções. Eu amei quando o Izan me perguntou qual a importância de se fotografar animais e de como isso se relaciona diretamente com minha atividade diária em fotografar. Animais não posam, eles não repetem cenas e raramente estão em uma perfeita condição de iluminação, e pouco importa onde e como você quer que eles estejam. É tudo muito rápido,  você tem que estar preparado para qualquer coisa que aconteça a qualquer momento, muito parecido com fotografia de casamento.

Outra parte divertida foi quando o Greg usou uma panela dourada e uma tábua de corte como um rebatedor de luz para fazer um retrato dentro de uma cozinha. Foi muito incomun ver ítens usados para cozinhar transformados em uma forma de comunicação. A parte que eu mais gostei foi ver os cavalos correndo dentro da água. Eu tenho muitas imagens favoritas, mostro acima uma delas.

Andrea Ribas



Participar desse Workshop, misto de expedição e aventura, promovido pelo Izan Petterle e Greg Gibson ao Pantanal de Mato Grosso, é uma experiência única, que através da didática prática e objetiva contribuem para a formação do profissional de fotografia. Compartilhar seus conhecimentos de técnica e conceito desenvolvidos por eles em produção de fotografia documental, faz com que o aprendiz desenvolva o seu próprio estilo.
 
Herculano Bernardes

Uma das coisas que aprendi durante a viagem foi como trabalhar com a luz, tirando vantagem do amanhecer, entardecer, das situações de contra-luz e de como usar, dentro das fazendas, a luz vinda das janelas para conseguir um belo retrato. Sempre dá para fotografar com qualquer tipo de luz. Tirar fotos em ação, em meio a cavalos e vaqueiros, foi uma experiência maravilhosa. Tudo era muito rápido e nós realmente tínhamos que capturar o momento certo. Tivemos que deitar no chão e usar todas as habildade físicas possíveis para conseguir a imagem de um angulo certo. Eu gostei muito da viagem e do tempo que passamos juntos com todas as pessoas que viajaram comigo.

Ursula Mesa


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Peixe-boi

Luciano Candisani - 17/11/2008


Foto: Peixe-boi marinho, foto publicada na revista National Geographic Brasil, em abril de 2001, e, na edição americana, em julho de 2004

Cheguei com uma montanha de equipamentos aos oceanários do Centro de Mamíferos Marinhos do Ibama, na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco. O local abriga a sede do projeto Peixe-boi, responsável pela conservação do mamífero marinho mais ameaçado do Brasil. As estimativas otimistas apontam apenas cerca de 500 animais da espécie vivendo ao longo dos litorais Norte e Nordeste do Brasil. E, pior, com a destruição dos manguezais e estuários, abrigos naturais dos recém-nascidos, as fêmeas acabam dando a luz em mar aberto e, freqüentemente, têm seus filhotes carregados pelas ondas.

Uma das atividades do projeto é recolher pequenos peixes-bois encalhados nas praias e criá-los nos enormes tanques da base de Itamaracá até que tenham condições de voltar para a natureza. No período em que passam no aquário, os animais são pesquisados e servem aos projetos de educação ambiental.

Minha tarefa ali era produzir imagens capazes de contar essa bela história e eu já tinha uma idéia de como fazer isso: queria fotografá-los dentro d’água, em primeiro plano, como protagonistas de todo o processo, se possível olhando para pesquisadores e turistas através do vidro.  Eu só não imaginava as dificuldades envolvidas nessa opção.

Acostumado a trabalhar com animais ariscos em ambiente natural, eu achava estar diante de um trabalho fácil. Afinal, em cativeiro, os peixes-bois são dóceis como cães. No tanque preparado para as fotos, boiavam calmamente seis animais, dos grandes, cerca de três metros os maiores. Mas, foi só entrar na água para perceber o tamanho do engano. Curiosos, os  gigantes partiram para cima de mim  para brincar – isso consistia em me empurrar até o fundo do tanque, comprimindo meu corpo contra a parede por vários minutos. Nenhum problema de segurança,  pois eu levava um cilindro de ar  nas costas, mas ficou claro que não daria para produzir a foto imaginada – pelo menos não com aquela turma ali.

Já com experiência, parti para uma segunda tentativa. Num tanque com apenas uma fêmea, a Sereia. Depois de várias investidas, ela perdeu a vontade de brincar e passou a ficar mais interessada no movimento fora do aquário. Era a chance que eu precisava para passar para o filme a imagem que estava na minha cabeça, desde o meu primeiro contato com a história do programa de reintrodução de peixes-bois na natureza.

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Macacos na torre

Roberto Linsker - 17/11/2008


Em fevereiro deste ano fiz a primeira incursão ao Pantanal em época de cheia. Poconé,  escarificada pelo garimpo durante séculos, é o inicio da Transpantaneira que leva até Porto Jofre, na região conhecida como Pantanal Norte.

Numa visita à Pousada Araras Eco-Lodge, na beira desta rodovia, seu dono, André Vonthuronyi, nos recomenda seguirmos as passarelas que atravessam trechos alagados de floresta e chegam, depois de 900 metros andados, na torre de observação. A dica pareceu ótima, a tarde navegava rumo à noite e do alto sempre seria mais interessante observar as nuanças do fim do dia, quando se acendem as nuvens no céu.



Aprazível caminhada. Guto e Vitor estão entretidos observando alguns macacos-prego e eu prossigo na trilha. Finalmente chego à base. Começo a subir os degraus e quase chegando na primeira plataforma deparo com um grupo de bugios que observam atentamente os meus movimentos. 

Apenas três metros e alguns milhões de anos de evolução nos separam. Somos todos primatas. Há um filhote naquele emaranhado de pelos e olhos, sua mãe também me olha. Lembro imediatamente de Ami, minha filha que completava três meses. Os machos, mesmo com o olhar ausente, estão lá recostados nas tábuas de madeira desse penúltimo andar da torre. 

A dúvida toma conta de mim, não sei absolutamente nada sobre comportamento de bugios, somente que qualquer espécie protege os seus filhotes dos intrusos. Parado, com receio de movimentos bruscos, começo a fotografá-los. E assim se passam longos minutos. Outros dois jovens bugios aparecem balançando nos cabos de sustentação da torre.  A luz perfeita, e voilá, cá está ele eternizado em um clique.

Guto e Vitor chegam e submetem-se ao mesmo ritual de aproximação. Confiança  ganha, decidimos passar por eles para atingir o topo da torre. Nada acontece, permanecem quietos no seu canto, preparando-se para o pôr do sol. Parecia até  que estavam acostumados com a cena.

De volta à fazenda, ficamos sabendo que, desde que ela foi erguida, esse grupo dorme cotidianamente na plataforma. Virou sua "casa". Soubemos também que os mesmos produtores de "A Marcha dos Pingüins" preparam um documentário sobre o Pantanal, que será contado através do olhar de um desses bugios. Não confirmei esta informação, talvez não seja correta mas é uma idéia original e  adorarei ver esses congêneres na grande tela.

Passos



Sempre gosto de cuidadosamente reconhecer o terreno que piso. "Conversar" com ele. Semanalmente uma imagem sem legendas.


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Triste visão de um Brasil ambiental

Adriano Gambarini - 13/11/2008


Foto: Banho forçado de uma anta no rio Xingu

Estas fotos são um registro de 15 anos viajando por este país. Este mundão sem fim -  expressão deliciosamente regional, que na boca dos caboclos nos dá a graciosa sensação de ‘lonjura’, grandiosidade e imponência, infelizmente está prestes a mudar sua conotação, em uma simples letra: Este mundão...seu fim.

Foto: Apreensão de mogno, em Altamira, PA

Uma das visões mais estranhas, para não dizer deprimente, foi a de uma anta morta, com marca de tiro no pescoço, boiando inchada pelas águas negras do Rio Xingu.

Foto: Outrora...Tamanduá-bandeira

Um lugar que conheci há mais de 12 anos, onde na minha ingenuidade ambiental, achava ser imune aos abusos humanos... Mas não era.

Foto: Foge andorinha, que o homem vem aí

Assim como não há mais lugar neste mundo, imune a este ser que, se traz benefícios ao lugar onde vive, proporcionalmente é sua devastação.

Foto: "Uai, tem que por mercurío, mas não faz mal"...Garimpo de ouro

Talvez mais até.

Foto: Abre o olho coruja, senão cortam suas asas

E creio que neste caso, as imagens dizem tudo; expressões máximas e adjetivadas de uma trágica conclusão.



Foto: Procura-se o dono desta pata

Foto: Onde está Wally?



Foto: Tá quente? Você não viu nada


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Fotografia, Pantanal e outras coisas a respeito do imponderável

Izan Petterle - 12/11/2008


Foto: Antiga sede de fazenda

Regresso mais uma vez de uma expedição fotográfica, estava no Pantanal de Mato Grosso, vide post anterior "Cowboys e jacarés, uma expedição ao coração do Pantanal". Escrevo da Chapada dos Guimarães, uma das minhas bases de viagem, muito perto do centro geodésico do América do Sul, ponto eqüidistante entre o Atlântico e o Pacífico.

Foto: A solidão é única e constante presença nesses lugares remotos

No domingo passado, dia 09 de novembro, terminou o workshop que Greg Gibson e eu ministramos a um talentoso grupo de participantes. Foi um treinamento intensivo e avançado de fotografia documental, tivemos oportunidades radicais de fotografar aspectos do cotidiano de algumas fazendas de criação de cavalos Pantaneiros.

Foto: Tempestades Pantaneiras

Viajamos em duas Land Rover, uma Discovery e  a Defender 110 do amigo e aluno Herculano Bernardes. Estávamos acompanhados das  alunas Andrea Ribas, Lucia Adverse, Roberta Cadore, Ursula Mesa, Duda Escobar e Ines Antich.

Foto: Fazenda São Carlos- Poconé-MT

Chegamos à região da rodovia Transpantaneira no começo das “águas”, o céu escuro dessa estação causava um drama sobre a paisagem, era a força das tempestades que transformava o cenário.

Foto: Fazenda São Carlos

A vida de quem fotografa nesse ambiente é sempre sob muita pressão: calor sufocante, noites mal dormidas por acordar de madrugada, mosquitos infernais e carrapatos por toda parte.

Foto: Fazenda São Carlos

Mas a maior dificuldade era a necessidade absoluta de produzir imagens instigantes e criativas, que pudessem escapar de uma linguagem figurativa e ingênua da representação da flora, fauna e seres humanos.

Foto: Fazenda São Carlos

Todos nós passamos por uma espécie de provação, nossos limites foram testados ao extremo, nossa capacidade de superação foi posta a prova.

Foto: Fazenda São Vicente- Poconé-MT

O  resultado de todo esse processo foi surpreendente.

Foto: Pitando ao amanhecer-Fazenda Carandá-Poconé-MT

Uma boa fotografia, penso eu, tem que ser misteriosa, enigmática e romântica, ela nunca se revela em um primeiro momento.

Foto: Paredões da Chapada dos Guimarães

Terminamos nossa viagem na Chapada dos Guimarães, onde passamos 3 dias inesquecíveis. Experiência única.

Foto: Fazenda Ronco do Bugio-Poconé-MT

Depois de atravessarmos, literalmente, uma imensa área de planícies e alagados ainda selvagens, nos dirigimos às grandes paisagens da Chapada, onde do alto dos paredões de arenito vermelho tem-se uma visão única da Baixada Cuiabana, berço do Pantanal.

Foto: Começo das águas-Poconé-MT

Foi uma lição para toda a vida, muitas das melhores imagens foram feitas pelas estudantes.



Foto: Haras Ronco do Bugio

Essa é a maior recompensa de todas: saber que pude dividir um pouco da minha experiência profissional e existencial com meus novos colegas nessa longa estrada da fotografia.

Foto: A ferro e fogo - Fazenda Carandá

Na próxima semana vou postar fotos e textos das pessoas que estiveram conosco durante esse rito de passagem rumo a maioridade fotográfica. Por favor, façam seus comentários aqui no blog, agradeço a todos.
Visitem também o blog do Greg Gibson: www.greggibson.com/blog



Foto: Fazenda São Vicente - Poconé


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