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O turista razoável

Le grand micô

Algumas situações patéticas são necessárias para um turista
O mico em uma viagem é algo que nos engrandece. Você só se torna um ser humano completo depois de encarar uma situação constrangedora. Bem constrangedora. Comigo aconteceu o seguinte: Paris, novembro de 1975. Eu na Praça Pigalle, onde as casas de cancã e os lupanares fazem a alegria da Europa. Em frente a um desses locais, a francesa, nem feia nem bonita, me convida para um drinque. Eu entro. Solidão, primeira vez em Paris, a possibilidade de encontrar um amor eterno... Os homens são capazes de atos os mais estúpidos.

O local estava escuro. O chão, mofado. Eu segurava firme a minha mochila verde. Não via direito o rosto dela. Mas o nome era Michelle. Falamos sobre música. Veio o primeiro champanhe - antes que eu pedisse. Dez minutos depois, o segundo. No terceiro, eu dizia: "Oh, mon Dieu". E ela: "Oh, mon devil". A coisa começou a ficar estranha quando eu parei de tomar champanhe e, ainda assim, ele continuava pipocando na mesa.

"Vou embora", falei, com o coração partido. "Não sem antes pagar", respondeu Michelle, subitamente transformada na madrasta que espancava Edith Piaf. A conta: 1 700 dólares. Eu havia sido, percebi, vítima de um golpe. Me senti enganado. Era tudo encenação de Michelle. Ameacei chamar a polícia. Depois de um pouco de conversa, deixei 400 dólares e voltei para o meu hotel. Se aprendi uma lição desse mico? Claro. A Pigalle é um dos lugares menos indicados do mundo para tomar champanhe.
Ainda guardo o cartão de Michelle.

J. PINTO não pode ouvir Edith Piaf cantar Hymne à L'amour que lágrimas brotam de sua face


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