O local estava escuro. O chão, mofado. Eu segurava firme a minha mochila verde. Não via direito o rosto dela. Mas o nome era Michelle. Falamos sobre música. Veio o primeiro champanhe - antes que eu pedisse. Dez minutos depois, o segundo. No terceiro, eu dizia: "Oh, mon Dieu". E ela: "Oh, mon devil". A coisa começou a ficar estranha quando eu parei de tomar champanhe e, ainda assim, ele continuava pipocando na mesa.
"Vou embora", falei, com o coração partido. "Não sem antes pagar", respondeu Michelle, subitamente transformada na madrasta que espancava Edith Piaf. A conta: 1 700 dólares. Eu havia sido, percebi, vítima de um golpe. Me senti enganado. Era tudo encenação de Michelle. Ameacei chamar a polícia. Depois de um pouco de conversa, deixei 400 dólares e voltei para o meu hotel. Se aprendi uma lição desse mico? Claro. A Pigalle é um dos lugares menos indicados do mundo para tomar champanhe.
Ainda guardo o cartão de Michelle.
J. PINTO não pode ouvir Edith Piaf cantar Hymne à L'amour que lágrimas brotam de sua face
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